Meias – Garantindo onde beber no final de semana.

Em alguma hora de uma manhã de domingo, o sol começa a incomodar, batendo no seu rosto. Você acorda. Nu. Numa cama que nunca viu, num quarto que você não conhece e nem sequer sabe a quem pertence.

Como se isso não bastasse, ao virar para o outro lado da cama, se depara com “um ser” sob os lençóis. Você começa a se questionar mentalmente sobre quem seria. Nada vem à mente (além de uma dor de cabeça quase insuportável), nada que te dê uma pista sobre a forma com que fora parar ali.

É hora de arriscar, mas com cuidado. Sorrateiramente, você dá aquela levantada no edredon, com calma para não acordar o indivíduo. Após a constatação, para o seu alívio, é uma mulher! Não é a mais bonita com quem você já saiu, mas ainda sim, mulher! Ponto pra você!

Em um rápido balanço, você conclui que não deve ter sido tão ruim assim. Afinal, ela teria ido embora, se o fosse. Em seguida, vem outra hipótese: ela pode ter odiado e não ter ido embora por ter apagado depois de encher a cara. Para não gerar uma autofrustração desnecessária você escolhe acreditar na primeira suposição.

Antes que ela acorde e comece com ‘mimimi’ de como foi a noite, você prefere,  por bem, vazar dali. Procura por suas roupas e… não encontra. Se desespera ao imaginar-se perambulando pelado pela casa de um desconhecido. Ainda mais se na noite anterior tivesse acontecido uma festa! Imagina, você desfilando sua beleza (ou falta de, né…) pra lá e para cá. A cambada toda te lembraria pelo resto da vida. Por falar na “cambada”, onde eles estariam? Sim, porque uma vaga lembrança da hora em que você saiu de casa, te dá a (quase) certeza de que você não estava sozinho no sabadão. E se você foi com eles e eles te esqueceram? E se está longe de casa? No meio de tantos “e se”, o celular toca. Sua mente e você voltam ao quarto estranho e boxe atende:

– “Alô…?”

– “Ô seu viado, tá vivo?”

– “Parece que tô sim. Por quê?”

-“Bobeira. Você saiu ontem da festa no carro daquela mina e sumiu, porra!”

-“Putz! Eu nem lembr…”

-“Mas tá sussa! Firmeza então, putão!”

-“Não, pera aí…”

A ligação cai. Você tenta retornar mas está sem créditos. São poucas aas alternativas para resolver a situação. Você decide, novamente, sé arriscar. Afinal, se já te viram pelado uma vez, não haveria nada a esconder. Olha pela última vez para a cama e para a mulher deitada sobre ela e retoma a caçada às roupas.

Um corredor, uma escada, uma sala vazia… Sua cueca, suas calças um pedaço de pano vomitado que você jura ser sua camisa, seus sapatos, mas sem meias (nem passa pela sua cabeça procurá-las) e depois de alguns segundos, você está vestido. E o melhor: aparentemente, sem ninguém ao redor para presenciar o “gorila” pago.

Até aí, sussa! Mas e aí, como ir embora de um lugar que você nem sabe onde fica? Em um momento, você tem a brilhante ideia de procurar alguma correspondência. Acha na cozinha, uma conta telefônica presa com um imã à geladeira, ao lado de um calendário todo rabiscado. Sem ter muita escolha, pega o telefone da casa e liga para o seu “amigo” que te ligara mais cedo. Depois de ouvir um grande “VIXI!”, quando explica o endereço, o camarada diz que em alguns minutos estaria lá pra te buscar.

Você abre a porta da sala que estava com as chaves penduradas na fechadura, bem devagar. Sai da casa e dá aquele suspiro aliviado. Volta até a cozinha, pega o que parece ser a última cerveja  na geladeira e vai até a calçada. Senta-se na guia e espera pela carona.

Seu amigo chega, você dá uma cambaleada quando se levanta (aquela clássica tontura), mas consegue não derrubar cerveja e entrar no carro. Cabisbaixo e com um constrangido “E aê!?”, se torna alvo de bullying do amigo gente fina. Depois de cessadas as gargalhadas, um breve silêncio e enfim um diálogo. Você comenta:

-“Semana que vem, fica com seu celular ligado.”

-“Por quê?” – Pergunta o amigo.

-“Sabadão tem festinha aqui de novo. Vi no calendário dela.”

-“E cê tá pensando em ir???” – Indaga o amigo, quase te dando um soco na nuca.

-“É… preciso pegar minhas meias!” 

Este texto foi escrito pelo amigo @wagnermferreira e eu dei uma editada pra ficar mais Jamber. *trollface*

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2 Respostas to “Meias – Garantindo onde beber no final de semana.”

  1. KKKKK Muito bom!!!!!

  2. odeio quando isso acontece!

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